“Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, não é apenas um livro. É um grito. Publicado pela primeira vez em 1960 pela Editora Francisco Alves e reeditado por diversas editoras ao longo dos anos, esse diário revela, de forma crua e dolorosa, a realidade da pobreza extrema na favela do Canindé, em São Paulo.
O que torna esse livro tão impactante é que ele não passa pelo filtro de um narrador externo. São as palavras diretas de Carolina, escritas nos cadernos que ela encontrava no lixo, contando o dia a dia de uma vida marcada pela fome, pela humilhação e pela luta constante para alimentar os filhos. A escrita dela é simples, mas carregada de verdade. Não há romantização da miséria, apenas o relato de quem a vive na pele.
Carolina descreve momentos de desespero, como quando passa dias sem conseguir comida para os filhos, mas também revela sua força e resistência. Ela sonhava com um futuro melhor e via na escrita um caminho para sair daquela realidade. Quando o jornalista Audálio Dantas descobriu seus escritos e ajudou a publicá-los, o livro se tornou um fenômeno, sendo traduzido para diversos idiomas.
Apesar do sucesso, Carolina continuou enfrentando dificuldades, o que nos faz refletir sobre como a sociedade trata os que vêm de baixo. “Quarto de Despejo” não é apenas uma leitura, é um convite à reflexão sobre desigualdade, exclusão social e a importância de políticas públicas que garantam dignidade a todos.
Se você nunca leu, prepare-se para uma experiência transformadora. Esse livro nos obriga a enxergar o que muita gente prefere ignorar.